eu, flávia, vim dos bairros de operários e trabalhadores rurais,
bairros de periferia e casas populares da Vila Maria
concebida e nascida prematuramente, como algo inevitável
aceita e criada conforme a regra
pequena se comparada ao mundo e intensamente interessada por ele e seus espaços
seus sons, seu vocabulário
pequena e ainda menor a medida que conhecia meus lugares no mundo
minhas vozes/ outras vozes
o que eu via não conferia com o que ouvia
o que eu fazia não correspondia ao que eu pensava
e tampouco eu pensava sempre o mesmo
isso eu percebi no calor das horas
o que aconteceu a seguir foi um acidente
não se sabe como ou porquê, nem as causas dos efeitos
as vozes dissonaram e eu falei, ainda falo, inverdades e dúvidas
e continuo no mundo que leio a cada dia de modo diferente e ainda tão igual.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
eu,
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flávia coelho
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009
quando apaga a luz
Quando acaba a luz eu fico ensaiando sobre a cegueira também.
Da segurança de um lar, ouço as reações barulhentas a uma situação estranha. É estranho faltar luz numa cidade como São Paulo. É ainda mais estranho o barulho de vozes humanas, buzinas e sirenes (na verdade as vozes humanas são estranhas). Concluo que é perigoso faltar luz e meu coração dispara ao ouvir vozes vindas do corredor. As vozes estão exaltadas e, da segurança precária do lar, não sei se acontece uma invasão ou se acontece de as pessoas terem de subir de escada para suas casas. Quase de faca em punho, a única arma possível nessa casa, chego à porta e me certifico de que sobem as escadas.
Uso a única tecnologia ainda disponível e ligo pra saber se falta luz em outros pontos, se alguém sabe porque acabou a luz, se está tudo bem. Parece que está tudo bem.
Olho pela janela e os carros estão em conflito explícito com os pedestres e entre si mesmos. As sirenes em conflito com todos. Eu vejo da janela e penso se seria o caso de descer e saber de perto o que acontece na rua, o porquê do tumulto. Penso.
As luzes
Penso que as luzes não são feitas apenas para ver melhor. Penso que às vezes devemos apagar as luzes, desligar os disjuntores e vagar. Vejo pior com tantos refletores no caminho.
Não sei e o não saber é um saber, ou pode ser. Às vezes penso que sei e esse saber me apresenta o caminho. Penso esquecendo o caminho e encontro um outro menos medroso e menos determinado pelas condições de tempo, espaço e iluminação.
As velas
Se acendem depois de muito tempo. A vela é uma luz carregável que ilumina o necessário: o fogão, a mesa, o jantar, o companheiro, o chuveiro. Ilumina algumas janelas lá fora, só algumas. Não dá pra ver o caminho inteiro e tenho que imaginar o resto. Imagino.
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flávia coelho
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terça-feira, 10 de novembro de 2009
Balanços
Nas duas últimas semanas participei de dois eventos, o Engrupedança e o CIC. O Engrupe é um encontro de pesquisadores em dança e o CIC é um congresso de iniciação científica da UNESP. Nos dois encontros o assunto era a pesquisa, claro.
No CIC, tínhamos pesquisadores da área de humanas, entre eles os artistas (nós). Como vocês fazem pesquisa? Sempre quis conhecer alguém de artes!Interessante que os artistas ainda são vistos como seres diferentes onde não se está acostumado a vê-los.
O Engrupe já tinha outra pegada, só artistas. Muitos do teatro e da dança e alguns de outras artes. O diálogo é muito mais fácil e muitas coisas se repetem.
No CIC encontrei algumas pessoas que nem imaginava encontrar naquele lugar. Encontrei também pessoas do Instituto de Artes que não conhecia. Foi bom.
Na minha apresentação de trabalho no CIC parecia que falava uma outra língua. As pessoas arregalaram os olhos, ou fecharam os olhos. Na minha sala não tinha ninguém da arte.
Nessa semana teremos o Encontro de Estudos Teatrais, no IA Unesp, cujo tema é Dramaturgia: as tessituras da cena, entre os dias 11 e 13 de novembro. A programação já está no site do IA. Os encontros acontecem das 9 às 12 hs e das 14 às 17 hs.
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flávia coelho
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Viajando
Hum, to indo pro Rio na quinta, vou ao Engrupedança como já disse outro dia. Quem quiser uma lembrancinha peça pra outra pessoa, meu orçamento é limitadíssimo! Mas trarei lembranças que poderei dividir com os amigos depois, quem quiser habilite-se. Volto no sábado paulistas, não fiquem com saudades.
Falando em viagem... na próxima quinta (05/10) vou pro Congresso de Iniciação Científica em S.J. do Rio Preto. Querida Cris, se você ainda passa por esse blog e ainda mora em Rio Preto fala comigo! Vou tentar encontrar seu e-mail, mas se passar por aqui deixe um recado. Quero ficar hospedada na sua casa.
Bom feriado!
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flávia coelho
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Twittando
Eu confesso: tenho problemas pra acordar. E também pra viver aos domingos. Dani, juro que eu ia visitar vocês no domingo. O caso é que o Tomaz viajou e eu fiquei sozinha. Aproveitei meu dia de solidão ao máximo, saindo apenas para comer. No próximo fim de semana?
Sarau. Os dias que não foram dedicados exclusivamente ao sono e à solidão nesse feriado, foram dedicados ao Sarau. Mór delícia. Pessoas que a gente conhece por aqui e considera normais são redescobertas nesses dias, tem gente muito artista nesse IA.
Trânsito. Alguém mais tá prestando atenção na nova campanha sobre trânsito? A idéia é que as pessoas sejam educadas no trânsito como são na vida. Opa, mas já são, tão mal educadas na vida quanto no trânsito. O problema é que falta de educação na vida é crime contra a etiqueta, e no trânsito?
Xixi. Pra mim, a campanha do trânsito entra na turma das campanhas idiotas junto com a do xixi no banho. Alguém lembra? SOS Mata Atlântica promovendo o hábito de fazer xixi no banho pra economizar água da descarga. O problema dessa campanha é óbvio: todo mundo já faz xixi no banho!
Bruta flor. Ouvi dizer que tem uma peça em homenagem ao blog. Mentira! Mas tem uma peça por aí (Sesc Consolação) que tem a bruta flor no título. DE COMO FIQUEI BRUTA FLOR/ESPASMOS DE UM CORAÇÃO DESVAIRADO , da Cláudia Schapira. Vamos ver?
Cinema. Conforme já postei hoje, dia 21 estreia um curta que fiz com o Freddy Leal, mestrando do IA UNESP. Eu vi o filme na internet e agora falta a coragem de ver em tela grande. Sou a única atriz que aparece no filme, a participação do Roberto foi em off, e meu medo é que alguém xingue a atriz, há! Bom, dia 21 tá aí, vamo que vamo.
Engrupedança. De 29 a 31 de outubro acontece na UNIRIO o II Encontro de Grupos de Pesquisa em Dança (Engrupe). O primeiro encontro foi aqui em SP, no IA UNESP, em 2007. Algumas pessoas do grupo de pesquisa (GPDEE) vão apresentar trabalhos e eu vou pra ver e oficinar por lá. Acho que as inscrições para oficinas e workshops ainda estão abertas. No site .
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flávia coelho
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