Era por pura necessidade que ingeria balões. Preferia os coloridos: verdes, amarelos, vermelhos, azuis, roxos e alaranjados. Às vezes engolia exclusivamente os brancos. Mas todos eles cheios, inflados, bem gordos. Eram gordos e vazios ao mesmo tempo.
Pensava, eventualmente, que devia experimentar novos sabores. Todos se espantavam com essa preferência por balões. Rendia-se e engolia um sapo ou uma rosa. Arrependia-se, pois nada se comparava à sensação de engolir um balão cheio.
Abria a boca com gosto e sorvia com o fundo da garganta um balão, depois outro e ainda outro. Deixava o balão parar na altura do peito pra sentir com mais força a força vazia do balão. Quando chegava ao estômago perdia um pouco a sensação do balão, queria logo engolir outro. Engolia um atrás do outro até que o estômago transbordasse de ar e cor, só então parava.
Logo sentia uma ansiedade, os balões iam se esvaziando em suaves suspiros. Impossível mantê-los cheios lá dentro. Às vezes um balão explodia e num espirro seu abdome murchava. O espirro era um jorro e ela sorria, um espaço se abria dentro dela e engolia mais um balão.
Segunda-feira, 13 de Julho de 2009
Os balões
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flávia coelho
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Sexta-feira, 12 de Junho de 2009
reza
Não me lembro de ter rezado ao longo da minha vida. Talvez uma coisa meio obrigação porque ouvia dizer que devia.
Só agora descobri que se reza pra si mesmo. Espero que eu esteja ouvindo.
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flávia coelho
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06:56
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Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
O sequestro
Guardou o pênis numa caixinha rosa. Não era seu, mas agora era como se fosse.
Abriu a caixinha e olhou pra ele. Inerte e pálido.
Não sabia se devia ou não contar ao dono do pênis.
Talvez devesse avisá-lo que estava com ela. Talvez ele se zangasse.
Enquanto pensava, achou melhor conferir se ainda funcionava. Não, nenhuma função.
Contava?
Não contou, colocou a caixinha junto com suas bijuterias.
Se contasse ele ia se zangar, com certeza.
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flávia coelho
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14:03
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Sexta-feira, 15 de Maio de 2009
Sofá
Sentou-se em frente à TV.
Amorfa, meio gente, meio sofá, algo assim. Ia ficando parecida com uma almofada.
Na tela, sucesso condicionado a diferentes produtos. Felicidade.
Ela, uma almofada florida em tons pastéis, Nem sorriso, nem nada.
Na novela belas moças e belas senhoras. Belos homens e gente engraçada. Os malvados são reconhecidos como tal. Uma tranquilidade.
A sala sem graça, iluminada pela luz da tela e ela sentada, meio deitada no braço do sofá. Quase imóvel, quase um móvel.
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flávia coelho
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Terça-feira, 5 de Maio de 2009
Boal
Nunca tinha passado pela minha cabeça que o Boal fosse morrer.
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flávia coelho
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Sábado, 2 de Maio de 2009
2 meses depois
Será necessário dizer que não tenho conseguido postar?
A vida me pegou de jeito e não me deixa mais fazer o que quero. Ela faz de mim o que quer e eu vou correndo atrás tentando entender o que aconteceu no instante imediatamente passado.
Mas minhas vontades existem em algum lugar, logo eu volto.
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flávia coelho
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09:41
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Domingo, 22 de Fevereiro de 2009
Criando
Não, não estou especialmente criativa. Aliás, encontro dificuldades em digitar, talvez seja culpa do domingo de carnaval.
Mas estou começando um novo processo criativo, parece metido a besta falando assim. Não é nada de mais, só colocar em cenas coisas que estão na minha cabeça e no corpo há um tempinho.
Nesse trabalho vou experimentar coisas que ainda não pude aprofundar, coisas que estão apontadas em mim, em algum lugar de mim.
Pra sair alguma coisa desse processo criativo, preciso registrar o que acontece. Seja pra repetir ou pra mudar ou deixar. Já que vou ter que registrar mesmo... um blog, mais um.
Vai ser diferente desse aqui e vai ser diferente dos meus cadernos de registro também, vai ser uma coisa nova.
Vamos ver no que vai dar.
O link pro blog novo está aí do lado, um conto e uns pontos.
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flávia coelho
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16:11
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